Que sabes tu de mim?
Falas-me como se me conhecesses
Mas as nossas vivências
Resumem-se a um presente em que já não pertences
Não fazes parte da minha vida
Passaste a ser um mero conhecido
Pelos maus atos que tiveste
Não te posso chamar mais de amigo
Fui por ti mais que um irmão
Muitas vezes te ouvi e respeitei
O que me deste de presente
Foi uma mentira que não esqueci mas mesmo assim te perdoei
Os amigos não são para as ocasiões
São para todos o bocadinhos que podemos partilhar
É triste que me queiras como tal
Quando nem para mim consegues tu olhar
Lembro os tempos que tudo dividíamos
Tantas tristezas, tantas alegrias
Mal eu sabia que irias fazer culpado
Dos atos que não assumias, por tuas covardias
Mas passado não é presente
Muito escreve o nosso futuro
Só quero que saibas por mim
O teu grande amigo por tua culpa ficou bem mais duro
Nunca mais acreditei
Que pudesse cegamente confiar
Os meus segredos, meus demónios
Em qualquer outro que me pudesse voltar a falhar
Vivo muito mais só
Dói muito a minha solidão
Porque não tenho quem me queira entender
É uma triste e muito própria conclusão
Por isso vou continuar
A ouvir o que me queres dizer
Só não penses que esqueci
O dia em que me fizeste sofrer
De ti não esperava tal coisa
Juramos ser unidos para sempre
Eu cumpri a minha parte
Tu voltaste as costas e seguiste em frente
Será que foste no bom caminho?
Será que és de alguma forma mais contente?
Foste parte integrante meu passado
Mas não vais ser do meu futuro nem do meu presente.
Desculpa se não sou capaz de esquecer
Tamanha desilusão que me causaste
Por isso não dês palpites da minha vivência
Quando por ela nunca te preocupaste.
RUI SOUSA
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