Não entendo nem nunca vou entender
Nem preciso de saber as razões
A quem se entrega a loucuras
E se perde com as variadas tentações
Elas existem para todos
Não sou diferente em nada
Só tenho que saber o verdadeiro valor
De quem me junta e não me separa
Mas o mundo está cheio de intenções
Repleto de más vontades
Que não deixam de ser ilusões
E põem turbas as nossas realidades
Só temos que saber distinguir
Pensar e não ceder à tentação
Daqueles que por vezes só querem
De nós alguma atenção
Mas porque não fica por aí?
Porque tem que se estragar com algo mais?
Atenção pode-se dar a todos
Desde que saibamos respeitar nossos ideais
Impera a falta de valores
A vontade supera a razão
É preciso ser muito homenzinho
Para não cair na tentação
De ser mais do que simplesmente amigo
Pois o sexo oposto também merece
Não deixar misturar sentimentos
Desta forma nada de mal acontece
Um beijo e um abraço, com respeito
Não se nega. Dá-se com carinho e boa vontade
A quem no momento precisa e aquece
E não nos tira pedaço nem liberdade
A nossa liberdade acaba
Quando invadimos a de alguém
Não podemos ser o que em momentos queremos
Só porque nessa altura, é o que mais nos convém
Não sei como dizer isto
Sem ser um pouco mais bruto
Não se estraga amizade com sexo
Vão ver que é um prazer muito curto
"Será um coração despedaçado, bom para entregar a alguém?"
Será que temos direito de o despedaçar
Muito menos teremos o direito
De aproveitar as fraquezas de alguém, para o nosso ego alimentar.
Não falta quem nos queira a sorrir
Que divida connosco alegrias
Falta quem nos enxugue as lágrimas
E nos acompanhe nos nossos piores dias
RUI SOUSA
© Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto
Como autora, autorizo a partilha deste texto, e ou excertos do mesmo, desde que mantido no seu formato original, e seja obrigatoriamente mencionada a autoria do mesmo.
Pensamentos, Sentimentos e outras confusões.
Poemas e outras reflexões!
quinta-feira, 16 de abril de 2020
Coração descompensado.
Tenho o coração aos saltos
Não sei para onde me virar
A cabeça não me deixa em paz
Põe-me num estado que não consigo respirar
A agonia que toma conta de mim
Não me deixa saber o que fazer
Não me deixa ter sossego nem um segundo
Não me deixa sequer fazer-me entender
Quero fugir para aquele sítio
Onde nunca fui, mas seria feliz
Onde o mal não existe
Só eu e o meu propósito infeliz
Quero sair sem destino
Virar costas e não voltar
Para este sítio onde habito
Onde para mim não há lugar
Na bagagem só eu
Eu e quem me quer bem
Não vou levar desta vez
Os que se aproveitam de mim como lhes convém
Esquecer quem me usa
Quem me olha para me poder julgar
Sem medir as palavras
Que fazem triste o meu olhar
Nos meus olhos que são límpidos
Para quem sabe neles ler
O que tenho de melhor
E que gostam de ver e aprender
Não me quero perder
Só procuro incessantemente me encontrar
Mas é uma viajem sem destino
Por favor não tentes me procurar
Não quero ser encontrado
Quero ficar só comigo
Tenho muitas conversas atrasadas
Isso é o meu maior perigo
No sótão tenho Gavetas desarrumadas
Onde não quero mexer
Prateleiras mal etiquetadas
Que me fazem voltar e retroceder
Mas como posso partir?
Tenho tanto que me faz ficar
O amor da minha vida
Que não me deixa naufragar
Mas será que vens comigo?
RUI SOUSA
quarta-feira, 15 de abril de 2020
Que sabes tu de mim?
Que sabes tu de mim?
Falas-me como se me conhecesses
Mas as nossas vivências
Resumem-se a um presente em que já não pertences
Não fazes parte da minha vida
Passaste a ser um mero conhecido
Pelos maus atos que tiveste
Não te posso chamar mais de amigo
Fui por ti mais que um irmão
Muitas vezes te ouvi e respeitei
O que me deste de presente
Foi uma mentira que não esqueci mas mesmo assim te perdoei
Os amigos não são para as ocasiões
São para todos o bocadinhos que podemos partilhar
É triste que me queiras como tal
Quando nem para mim consegues tu olhar
Lembro os tempos que tudo dividíamos
Tantas tristezas, tantas alegrias
Mal eu sabia que irias fazer culpado
Dos atos que não assumias, por tuas covardias
Mas passado não é presente
Muito escreve o nosso futuro
Só quero que saibas por mim
O teu grande amigo por tua culpa ficou bem mais duro
Nunca mais acreditei
Que pudesse cegamente confiar
Os meus segredos, meus demónios
Em qualquer outro que me pudesse voltar a falhar
Vivo muito mais só
Dói muito a minha solidão
Porque não tenho quem me queira entender
É uma triste e muito própria conclusão
Por isso vou continuar
A ouvir o que me queres dizer
Só não penses que esqueci
O dia em que me fizeste sofrer
De ti não esperava tal coisa
Juramos ser unidos para sempre
Eu cumpri a minha parte
Tu voltaste as costas e seguiste em frente
Será que foste no bom caminho?
Será que és de alguma forma mais contente?
Foste parte integrante meu passado
Mas não vais ser do meu futuro nem do meu presente.
Desculpa se não sou capaz de esquecer
Tamanha desilusão que me causaste
Por isso não dês palpites da minha vivência
Quando por ela nunca te preocupaste.
RUI SOUSA
© Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto Como autora, autorizo a partilha deste texto, e ou excertos do mesmo, desde que mantido no seu formato original, e seja obrigatoriamente mencionada a autoria do mesmo.
RUI SOUSA
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terça-feira, 14 de abril de 2020
Efeito causa!
Alguém me escreve :
"O lado amargo...efeito causa..mas a pessoa não é amarga é uma defesa...😉😇"
Sim. Posso concordar
Mas porque me fazem chorar?
Quem diz que me quer bem
Quando não estou de todo a atacar
Serei eu o das atitudes erradas?
Terei que reflectir e repensar
Pois se não estou a ser correto e claro
Minhas atitudes e formas de comunicar terei que melhorar
Não acredito, nunca acreditei
Que tenha a verdade plena em mim
Muito pelo contrário, dou ouvidos a quem me quer falar
Por esse facto muitos se aproveitam de eu ser assim
As críticas não são para nos destruir
São o que nos faz realmente parar e pensar
Se nos dizem porque é alguém que se importa
Que tirou tempo para de certa forma me ajudar
Aprendo sempre com todos
Os que me queiram chamar a razão
Quando os meus olhos já não vêm de todo
Porque estou com a cabeça em demasiada confusão
Adoro que me façam reflectir
Que me ajudem nos meus pensamentos, que são uma imensidão
Em todos os seres vejo verdadeiros mestres
Estas palavras merecem toda a minha atenção
Espero ter um dia uma resposta mais clara
Um explicativo bem defendido
Por agora fica só fica só a certeza
Que tua frase faz todo o sentido
As causas que provocam os efeitos
Irei ter muito mais atenção
As causas partem de mim
Dos outros tenho a respectiva reacção.
Obrigado mais uma vez. 😉😘☺️
Fica o convite para um café “Virtual”
RUI SOUSA
© Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto
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segunda-feira, 13 de abril de 2020
Dia do beijo.
Aquele ato em que duas pessoas fazem, onde se encontram os lábios.
Para mim um ato mais sensual que qualquer outro.
Entre uma carícia no rosto, um toque no cabelo, dois corpos que se abraçam, as mãos que ganham vida própria à procura de conforto no corpo do outro, percorrendo os seus contornos deliciosos.
Onde os lábios se tocam devagar, revezando-se levemente. Sem pressa sem correria.
O tempo para e ficam ao jeito da sensualidade os dois à espera que seja hora de avançar.
Mas divagando pelo pescoço, sussurro ao teu ouvido palavras que nunca te tinha dito antes e levemente te passo a língua para sentires o toque ligeiramente molhado na tua pele.
Teus olhos incendiados as tuas mãos trémulas, o teu corpo se contorce e pede mais.
Um beijo.
Finalmente as bocas se encontram, já com a respiração ofegante.
Deixam que os lábios, numa dança exótica, saciam o desejo.
Tudo é fogo, de olhos bem fechados para não haver distrações e poder deliciar o momento.
O sabor dos teus lábios, o toque tímido e provocante da minha língua na tua, o lábio que te mordo para te mostrar que neste beijo, tudo se torna paixão.
São dois corpos que se desejam, os lábios verdadeiros pincéis, onde numa tela humana as mãos desenham a vontade de algo mais.
Um beijo não é só um beijo. É muito mais que isso.
É arte.
RUI SOUSA
© Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto
Como autora, autorizo a partilha deste texto, e ou excertos do mesmo, desde que mantido no seu formato original, e seja obrigatoriamente mencionada a autoria do mesmo.
Para mim um ato mais sensual que qualquer outro.
Entre uma carícia no rosto, um toque no cabelo, dois corpos que se abraçam, as mãos que ganham vida própria à procura de conforto no corpo do outro, percorrendo os seus contornos deliciosos.
Onde os lábios se tocam devagar, revezando-se levemente. Sem pressa sem correria.
O tempo para e ficam ao jeito da sensualidade os dois à espera que seja hora de avançar.
Mas divagando pelo pescoço, sussurro ao teu ouvido palavras que nunca te tinha dito antes e levemente te passo a língua para sentires o toque ligeiramente molhado na tua pele.
Teus olhos incendiados as tuas mãos trémulas, o teu corpo se contorce e pede mais.
Um beijo.
Finalmente as bocas se encontram, já com a respiração ofegante.
Deixam que os lábios, numa dança exótica, saciam o desejo.
Tudo é fogo, de olhos bem fechados para não haver distrações e poder deliciar o momento.
O sabor dos teus lábios, o toque tímido e provocante da minha língua na tua, o lábio que te mordo para te mostrar que neste beijo, tudo se torna paixão.
São dois corpos que se desejam, os lábios verdadeiros pincéis, onde numa tela humana as mãos desenham a vontade de algo mais.
Um beijo não é só um beijo. É muito mais que isso.
É arte.
RUI SOUSA
© Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto
Como autora, autorizo a partilha deste texto, e ou excertos do mesmo, desde que mantido no seu formato original, e seja obrigatoriamente mencionada a autoria do mesmo.
Hoje preciso de ti
Hoje preciso de ti
Onde tens andado que não te encontro?
Talvez perdida nos teus complexos pensamentos
Onde não há porta de entrada para nenhum outro
Deixa-me entrar por favor
Divide comigo esse peso bruto
É por isso que te amo e te desejo
E o tempo para nós cada vez é mais curto
Lembro o beijo que me roubaste
Naquela noite que te desafiei
Como promessa que cumpri desde então
Nunca mais eu te larguei
Temos uma linda história de amor
Para aos nossos netos um dia contar
Eu andava perdido e sozinho
Numa luta por quem nunca imaginava vir a amar
Esperei por ti anos a fio
O medo não me deixava te abordar
Sobre o sentimento que tinha por ti
A vontade que tinha de te beijar
Mais forte do que eu foste tu
Te entregaste sem condição
Cega por um amor que não entendias
Possuída pela chama uma grande paixão
Para ti escrevo estas palavras
Muitas mais tenciono escrever
És a minha musa inspiradora
Que me dás ânimo para continuar a viver
Inspiras-me todos os dias
Com a tua beleza singular
Com os teus beijos me lavas a alma
Consolas-me com um simples olhar
Não precisamos de palavras
Já somos dois que um só faz
Pelo que muitos tentaram separar
Mas disso não foram capaz
Temos uma linda história de amor
Isso ninguém vai apagar
Iremos envelhecer juntos
Nas tuas danças serei sempre o teu par
Hoje preciso de ti
Amanhã também vou precisar
Não te dispenso da minha vida nunca
Sem ti não sei como respirar
És tu que me limpa as lágrimas
Provocadas por quem me quer ver a sofrer
Me levantas o rosto e me abraças
Para que o meu coração normalmente volte a bater
Coração que tem defeito
Mas onde tu és dona e senhora
Por mais que seja descompassado
Bate por ti a toda a hora
Já te disse hoje o quanto te admiro e te amo?
RUI SOUSA
© Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto
Como autora, autorizo a partilha deste texto, e ou excertos do mesmo, desde que mantido no seu formato original, e seja obrigatoriamente mencionada a autoria do mesmo.
domingo, 12 de abril de 2020
Boa Páscoa.
Este ano vamos ter uma boa Páscoa.
Para quem vive na terrinha, como eu e gosto muito, é coisa engraçada.
Passo a descrever.
Dia que toda a gente vestes suas melhores roupas.
Eu se me fosse permitido pela minha mais que tudo, vestiria aquele belo fato, que me ofereceu pelos anos, gastou os olhos da cara porque já não aguentava mais ver-me a vestir calças de uma camisola do outro.
Um belo fato de treino.
Acompanhado por um bom par de calçado que comprei, já há muito, naquela loja bem cara, mas que são bem bonitas e confortáveis
Um par de sapatilhas, que já foram ameaçadas de ir para o lixo, porque sou o único que ainda gosta delas.
Depois de bem equipado, lá vamos nós a casa dos pais ou dos sogros.
Neste dia de paz e confraternização, lá andam os mais velhos na sua maior calma.
Tratando de aquecer fornos a lenha, verificar se as carnes estão ao ponto de levar ao forno, montando mesas para que todos estejam confortáveis, para o banquete que andam à dois dias a preparar.
Por isso muito tranquilo.
Juntamos a isto, os aperitivos!
Mas não são os que se come.
Uns belos vinhos do Porto, que se vão degustando pela manhã, juntos com outras bebidas mais (tipo tudo que aparece pela frente), nas casas de amigos e familiares.
Para que chegada a hora de ver o nosso senhor Jesus, já estejam bem desinfetados, com os níveis de álcool tranquilos, para colocar os beiços na cruz que já passou por umas centenas.
A verdadeira preparação. Nada fica ao acaso e tudo tem um propósito, muito bem pensado.
Até que chega o almoço, comidinha com fartura.
Já poucos têm vontade de comer, porque ou já comeram em tudo que era capelinha, ou a vontade de regar o assado, persistem.
Mas há que aguentar, ainda vêm as sobremesas, seguidas dos digestivos.
Não se poupa em nada.
As melhores garrafas vêm para a mesa, há que degustar, melhor dizendo emborcar.
Mais uma vez se limpam mesas, louças, se recompõem miúdos e graúdos, para receber em suas casas, o visitante do dia.
Finalmente chega a hora tão esperada, toda gente bem aprumada, uns mais do que os outros, vão beijar uma cruz.
Onde está o símbolo que assinala a ressurreição.
Só não entendo uma coisa!
O senhor vem no crucifixo, mas isso não foi o que lhe fizeram há 3 dias atrás?
OK. Siga, não é para e eu entender.
Seguem-se os beijos, em que todos são convidados à força para estarem presentes nessa roda, que se forma para cumprir a tradição, passando de pessoa em pessoa a cruz.
É quando no meio de tal silêncio, em que se aproximam de alguém, com o crucifixo bem ornamentado, para que seja beijado silêncio e com devoção, que se ouve:
“EU SOU ATEU.”
Todos os olhos se viram e o mundo para por breves momentos.
Entre as palavras, e o senhor que leva em suas mãos o senhor reaja e passe a frente de quem se recusou a beijar a cruz e ainda acrescentou a sua descrença.
Todos identificam o causador de tamanho desconforto.
Meu filho. Aquele que foi avisado anteriormente para se portar devidamente e não ser anticristo.
Não resistiu aos olhares reprovadores e repete.
“QUE FOI? SOU ATEU.”
Não sei o que lhe faça? Também não o vou obrigar a acreditar.
Se sempre o eduquei para que tivesse escolhas próprias, que lhe posso agora e eu dizer?
Mas a coisa passa e voltamos à mesa refeita e novamente recheada.
Mais comidas para todos os gostos, desde os ovos da Páscoa ao leitão, uma coisa do outro mundo.
Aproveitar-se para beber mais uns copitos, não vá nos entalarmos com as doçuras.
Meu Deus.
Mas que é isto?
Afinal estou a descrever um dia de crença ou um rally das tascas?
Come-se e bebesse como se amanhã não existisse. (Gula)
Vestem-se as roupas mais caras, previamente compradas para a ocasião. (Luxúria)
Depois de tanta gente bem vestida e se o tempo o permitir, as mais belas donzelas, apresentam os seus belos decotes, naquele vestido bem mini, para chamar a tentação dos olhos já turvos, onde até o padre não deixa de a apreciar tal beleza feminina. (Cobiça)
Mas são as mulheres que mais olham para suas concorrentes, ficando de certa forma, com possa eu dizer isto sem melindrar, "aborrecidas" se tem algum modelo, mais atraente que o seu. (Inveja)
Os homens muito ocupados dos seus copos, deixam todo o trabalho para as senhoras, para poderem ainda tirar uma soneca, em jeito de preparação para o que resta do dia. (Preguiça)
Não posso deixar de salientar o envelope recheado, com umas notas, para entregar ao senhor Pároco da freguesia, o qual a seu tempo vai dizer quanto rendeu, para que o povo saiba se foi suficiente. (avareza)
No final já me está a revoltar tudo isto e sou eu o que comete o último pecado. (ira)
RUI SOUSA
© Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto
Como autora, autorizo a partilha deste texto, e ou excertos do mesmo, desde que mantido no seu formato original, e seja obrigatoriamente mencionada a autoria do mesmo.
Para quem vive na terrinha, como eu e gosto muito, é coisa engraçada.
Passo a descrever.
Dia que toda a gente vestes suas melhores roupas.
Eu se me fosse permitido pela minha mais que tudo, vestiria aquele belo fato, que me ofereceu pelos anos, gastou os olhos da cara porque já não aguentava mais ver-me a vestir calças de uma camisola do outro.
Um belo fato de treino.
Acompanhado por um bom par de calçado que comprei, já há muito, naquela loja bem cara, mas que são bem bonitas e confortáveis
Um par de sapatilhas, que já foram ameaçadas de ir para o lixo, porque sou o único que ainda gosta delas.
Depois de bem equipado, lá vamos nós a casa dos pais ou dos sogros.
Neste dia de paz e confraternização, lá andam os mais velhos na sua maior calma.
Tratando de aquecer fornos a lenha, verificar se as carnes estão ao ponto de levar ao forno, montando mesas para que todos estejam confortáveis, para o banquete que andam à dois dias a preparar.
Por isso muito tranquilo.
Juntamos a isto, os aperitivos!
Mas não são os que se come.
Uns belos vinhos do Porto, que se vão degustando pela manhã, juntos com outras bebidas mais (tipo tudo que aparece pela frente), nas casas de amigos e familiares.
Para que chegada a hora de ver o nosso senhor Jesus, já estejam bem desinfetados, com os níveis de álcool tranquilos, para colocar os beiços na cruz que já passou por umas centenas.
A verdadeira preparação. Nada fica ao acaso e tudo tem um propósito, muito bem pensado.
Até que chega o almoço, comidinha com fartura.
Já poucos têm vontade de comer, porque ou já comeram em tudo que era capelinha, ou a vontade de regar o assado, persistem.
Mas há que aguentar, ainda vêm as sobremesas, seguidas dos digestivos.
Não se poupa em nada.
As melhores garrafas vêm para a mesa, há que degustar, melhor dizendo emborcar.
Mais uma vez se limpam mesas, louças, se recompõem miúdos e graúdos, para receber em suas casas, o visitante do dia.
Finalmente chega a hora tão esperada, toda gente bem aprumada, uns mais do que os outros, vão beijar uma cruz.
Onde está o símbolo que assinala a ressurreição.
Só não entendo uma coisa!
O senhor vem no crucifixo, mas isso não foi o que lhe fizeram há 3 dias atrás?
OK. Siga, não é para e eu entender.
Seguem-se os beijos, em que todos são convidados à força para estarem presentes nessa roda, que se forma para cumprir a tradição, passando de pessoa em pessoa a cruz.
É quando no meio de tal silêncio, em que se aproximam de alguém, com o crucifixo bem ornamentado, para que seja beijado silêncio e com devoção, que se ouve:
“EU SOU ATEU.”
Todos os olhos se viram e o mundo para por breves momentos.
Entre as palavras, e o senhor que leva em suas mãos o senhor reaja e passe a frente de quem se recusou a beijar a cruz e ainda acrescentou a sua descrença.
Todos identificam o causador de tamanho desconforto.
Meu filho. Aquele que foi avisado anteriormente para se portar devidamente e não ser anticristo.
Não resistiu aos olhares reprovadores e repete.
“QUE FOI? SOU ATEU.”
Não sei o que lhe faça? Também não o vou obrigar a acreditar.
Se sempre o eduquei para que tivesse escolhas próprias, que lhe posso agora e eu dizer?
Mas a coisa passa e voltamos à mesa refeita e novamente recheada.
Mais comidas para todos os gostos, desde os ovos da Páscoa ao leitão, uma coisa do outro mundo.
Aproveitar-se para beber mais uns copitos, não vá nos entalarmos com as doçuras.
Meu Deus.
Mas que é isto?
Afinal estou a descrever um dia de crença ou um rally das tascas?
Come-se e bebesse como se amanhã não existisse. (Gula)
Vestem-se as roupas mais caras, previamente compradas para a ocasião. (Luxúria)
Depois de tanta gente bem vestida e se o tempo o permitir, as mais belas donzelas, apresentam os seus belos decotes, naquele vestido bem mini, para chamar a tentação dos olhos já turvos, onde até o padre não deixa de a apreciar tal beleza feminina. (Cobiça)
Mas são as mulheres que mais olham para suas concorrentes, ficando de certa forma, com possa eu dizer isto sem melindrar, "aborrecidas" se tem algum modelo, mais atraente que o seu. (Inveja)
Os homens muito ocupados dos seus copos, deixam todo o trabalho para as senhoras, para poderem ainda tirar uma soneca, em jeito de preparação para o que resta do dia. (Preguiça)
Não posso deixar de salientar o envelope recheado, com umas notas, para entregar ao senhor Pároco da freguesia, o qual a seu tempo vai dizer quanto rendeu, para que o povo saiba se foi suficiente. (avareza)
No final já me está a revoltar tudo isto e sou eu o que comete o último pecado. (ira)
RUI SOUSA
© Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto
Como autora, autorizo a partilha deste texto, e ou excertos do mesmo, desde que mantido no seu formato original, e seja obrigatoriamente mencionada a autoria do mesmo.
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