quinta-feira, 16 de abril de 2020

Coração descompensado.



Tenho o coração aos saltos
Não sei para onde me virar
A cabeça não me deixa em paz
Põe-me num estado que não consigo respirar

A agonia que toma conta de mim
Não me deixa saber o que fazer
Não me deixa ter sossego nem um segundo
Não me deixa sequer fazer-me entender

Quero fugir para aquele sítio
Onde nunca fui, mas seria feliz
Onde o mal não existe
Só eu e o meu propósito infeliz

Quero sair sem destino
Virar costas e não voltar
Para este sítio onde habito
Onde para mim não há lugar

Na bagagem só eu
Eu e quem me quer bem
Não vou levar desta vez
Os que se aproveitam de mim como lhes convém

Esquecer quem me usa
Quem me olha para me poder julgar
Sem medir as palavras
Que fazem triste o meu olhar

Nos meus olhos que são límpidos
Para quem sabe neles ler
O que tenho de melhor
E que gostam de ver e aprender

Não me quero perder
Só procuro incessantemente me encontrar
Mas é uma viajem sem destino
Por favor não tentes me procurar

Não quero ser encontrado
Quero ficar só comigo
Tenho muitas conversas atrasadas
Isso é o meu maior perigo

No sótão tenho Gavetas desarrumadas
Onde não quero mexer
Prateleiras mal etiquetadas
Que me fazem voltar e retroceder

Mas como posso partir?
Tenho tanto que me faz ficar
O amor da minha vida
Que não me deixa naufragar

Mas será que vens comigo?

RUI SOUSA
© Todos os Direitos de Autor reservados nos termos da Lei 50/2004, de 24 de Agosto
Como autora, autorizo a partilha deste texto, e ou excertos do mesmo, desde que mantido no seu formato original, e seja obrigatoriamente mencionada a autoria do mesmo.

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